Releases para imprensa

Organizações brasileiras estão no caminho para aliar a gestão de riscos à estratégia de negócio

Release para imprensa

São Paulo, 03 de abril de 2014 – Cada vez mais a gestão de riscos faz parte do cotidiano das empresas brasileiras – especialmente as que participam de setores regulados ou têm ações negociadas na Bolsa. Com o objetivo de mensurar o estágio de maturidade das práticas de gestão de riscos e os desafios das empresas que atuam no País, a Deloitte realizou a pesquisa “O estágio atual da gestão de riscos – Estratégias e ações para o crescimento sustentável”.

Realizado com 84 empresas, o estudo apresenta os desafios para uma plena implementação dos processos de gestão de riscos, mas indica uma mobilização positiva por parte das empresas. “As organizações, cada vez mais, têm investido no aperfeiçoamento de seus processos de gestão de riscos, pois entendem que isso traz resultados em termos de melhoria de gestão e geração de valor ao negócio. Além disso, diante do novo cenário econômico mundial, repleto de incertezas, é imprescindível se preparar para inúmeras situações”, desataca Alex Borges, sócio da área de Consultoria em Gestão de Riscos da Deloitte.

O avanço apresentado pelas empresas é construído a partir de algumas características, entre elas: a criação de uma área específica para a gestão de riscos, que já é uma realidade para 41% das organizações. Entre as que possuem essa área, 33% as criaram recentemente, há menos de dois anos. A Auditoria Interna é apontada por 55% dos participantes como uma sessão dedicada à função de riscos de forma independente e como aconselhamento, responsável por validar as práticas de gestão e operação, entre outros aspectos.

A área de Controles Internos (49%) vem em segundo lugar, seguida pela função de Gestão de Riscos (42%). Estas já são áreas mais voltadas ao alinhamento dos riscos em relação a estratégia traçada pela organização. Essa onda mostra que as empresas estão dedicando gradualmente mais esforços na sua gestão de riscos em alinhamento com os seus pontos estratégicos.

Desafios globais

O estudo também conta com levantamento que traz dados das empresas estrangeiras que atuam no mercado de capitais dos Estados Unidos como emissoras de ações, as chamadas “Foreign Private Issuers” (FPIs) brasileiras. Foram compiladas todas as citações de riscos publicadas em formulário específico que as companhias devem enviar ao órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, a Securities and Exchange Commision (SEC).

O grupo formado pelas FPIs brasileiras é constituído por 31 companhias que, embora representem 8,4% das empresas listadas na BM&FBovespa, respondem por 56,9% do valor negociado na Bolsa de Valores do Brasil em janeiro de 2014, ou seja, R$ 125,7 bilhões.

As informações mostraram que as FPIs estão mais focadas em questões estratégicas e de mercado, tendo entre os principais riscos divulgados condições econômicas e tendências de indústria, mercados, leis e regulamentações e concorrência. Já a amostra da pesquisa “O estágio atual da Gestão de Riscos”, que se baseou no mesmo critério, traz uma visão mais administrativa e operacional dos riscos, com destaque para temas ligados à burocracia, como aderência e regras, tributário e fiscal, trabalhista e ética, fraude e canal de denúncia.

Prioridades cruzadas 

O desafio da integração

“Em suma, para se ter uma gestão eficaz é preciso compreender e alinhar à estratégia da organização, ter uma visão de mercado ampla, compreender em parte o funcionamento dos concorrentes, entender as tendências e regulamentações empresariais e de indústria e conhecer os processos internos da sua empresa.”, destaca Borges.

Os principais objetivos do processo de gestão de riscos elencados pelas empresas foram: estar integrado às estratégias da empresa (64%), gerar e preservar valor aos acionistas (63%) e mensurar os riscos da empresa (62%). Já entre os principais desafios para a implementação de um processo de gestão de riscos eficaz estão: criação de uma metodologia eficiente na gestão de riscos (57%), não ser prioridade da administração (42%) e falta de profissionais especializados (38%). Esses dados refletem uma visão cada vez menos voltada às etapas operacionais e mais focada em pontos estratégicos para a organização.

Ainda que as organizações necessitem avançar no que se refere a uma visão integrada, elas já mostram um crescimento no nível de participação da gestão de riscos na definição, análise e implantação das estratégias das empresas - elevado (5%), alto (19%) e médio (32%) – que somam 56%. No entanto, há ainda um caminho a ser percorrido, já que 34% ainda consideram baixo o seu nível de participação.

Nesta edição foi possível identificar uma evolução em relação à pesquisa passada no que diz respeito à maturidade dos processos. Enquanto no último ano a definição de papéis e responsabilidades foi implementado por 38% dos respondentes, nessa edição o número subiu para 45%. Isso mostra que o processo de integração de áreas de negócios para gerir os riscos está mais maduro. A definição dos gestores dos riscos também obteve um aumento considerável – de 33% de implementação para 59% de avaliação como bom ou ótimo.

O nível de interesse pelo desenvolvimento de atividades de gestão de riscos das empresas participantes da pesquisa indica que a maioria (58%) está disposta a investir no desenvolvimento dessa estrutura e reconhecer seus benefícios. O aumento do interesse aliado a alguns pontos, como prevenção de perdas, fraudes e irregularidades (44%), integração à estratégia e aos procedimentos de governança corporativa da empresa (41%) e ocorrência de perdas inesperadas (29%) reflete essa nova visão mais otimista em relação às práticas de gestão de riscos.

O ponto sobre perdas, fraudes e irregularidades indica a importância de um tema que está voga no momento: a Lei Anticorrupção. A nova legislação, que entrou em vigor em janeiro e delimita como pessoas jurídicas devem responder em casos de corrupção, deve ajudar a melhorar a situação do País no ranking mundial da Transparência Internacional. Além de implementar multas e padrões para as empresas, como: a suspensão parcial ou total das atividades e o impedimento de participar de licitações públicas.

Prioridades estratégicas

Um visão recorrente, presente também na edição passada, é de que os aspectos regulamentares estão entre os de maior relevância para as empresas. As exceções são o planejamento orçamentário, destaque em 2012, e a segurança da informação, foco identificado para o ano de 2014. “Observamos que a segurança da informação está nas prioridades das empresas como ponto de risco. Essa deverá ser uma tendência para os próximos anos: a preocupação e antecipação e capacidade de gerir riscos na área de tecnologia irá ganhar mais espaço no mercado”, finaliza Borges.

Principais riscos gerenciados pelas empresas nos últimos três anos

Amostra da pesquisa 

A pesquisa, realizada durante os meses de setembro e outubro de 2013, contou com a participação de 84 empresas. Grande parte (45%) possui faturamento anual de mais de R$ 1 bilhão. Já sobre os setores de atuação é possível elencar: serviços, energia e saneamento e tecnologia como os principais. Além disso, as regiões Sudeste (70%) e Sul (13%) são as que concentram o maior número de organizações. Outro ponto relevante, as empresas de capital aberto correspondem a 29% dos respondentes. Entre elas, 87% estão presentes na Bolsa de Valores de São Paulo e também no mercado internacional de capitais, com 30% presentes no mercado de capitais dos Estados Unidos.

In Press Porter Novelli

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