Análises

Riscos não técnicos em exploração e produção de óleo e gás no Brasil

Uma abordagem para quantificar e gerenciar os riscos não técnicos

A indústria de óleo e gás enfrenta riscos não técnicos significativos devido ao complexo ambiente operacional e múltiplos stakeholders, que podem fornecer diretrizes conflitantes, afetando o desenvolvimento de projetos, atrasando suas operações ou gerando custos excedentes.

Os riscos não técnicos podem ter um impacto material adverso nos projetos de O&G, prejudicando a geração de valor não somente para as empresas petrolíferas, mas também para o governo (revés de receitas tributárias) e toda a cadeia de suprimentos.

Dentre os segmentos da indústria de O&G, os riscos não técnicos representam uma ameaça maior ao valor dos projetos upstream, pois existem mais fatores que podem afetar as operações de E&P. Os riscos podem estar relacionados a questões regulatórias, públicas, socioeconômicas, governamentais e ambientais que acarretam disfunções nas atividades e lucros.
As principais causas que originam entraves nos projetos de E&P são a falta de aceitação social e questões ambientais. Os riscos não técnicos têm prevalência maior em determinados países subdesenvolvidos que possuem reservatórios de petróleo, mas enfrentam uma falta sistêmica de transparência, segurança, governabilidade, regulamentações e infraestrutura.

Visão geral dos riscos não técnicos na E&P de oléo e gás no Brasil e o caso do Foz do Amazonas

O ambiente operacional de O&G no Brasil ocupa uma posição de destaque no benchmarking de riscos não técnicos na América Latina, ficando mais próximo à Venezuela, do que de países como Trinidad e Tobago e Uruguai que tem a menor incidência de riscos.
Os principais fatores de riscos não técnicos no ambiente de upstream no Brasil são a presença do Estado, marco regulatório, corrupção, cadeia de suprimentos, conteúdo local, estabilidade fiscal e acesso ao mercado de gás. Dentro da categoria regulatória, os riscos não técnicos podem ser divididos em questões como: oscilações na legislação de conteúdo local e de aplicação dos recursos da cláusula de pesquisa e desenvolvimento, ou de forma geral, as contínuas mudanças de diretores e superintendentes em áreas-chave na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A principal consequência é que projetos de E&P sofrem atrasos, bem o valor pode ser erodido (VPL), e operadores podem vir a enfrentar riscos de ter processos de licenciamento arquivados ou considerar a devolução de blocos para a ANP. As empresas petrolíferas devem estar bem estruturadas para encarar os possíveis riscos não técnicos que estão suscetíveis nos projetos de upstream de forma proativa.

Você achou útil?