Pesquisa

Women @ Work 2022 

Insatisfação e esgotamento das profissionais são frutos da desigualdade de gênero, agravada durante a pandemia da Covid-19

Pesquisa global da Deloitte aponta que 46% das mulheres estão sofrendo de burnout. Entre as brasileiras de minoria étnica o número sobe para 54%.

Reflexos da pandemia de Covid-19 ainda causam impacto na carreira e saúde das mulheres

No ano passado, muitas empresas e profissionais foram estimulados a encarar mudanças na maneira de se relacionar com o trabalho, com cenários e desafios diferentes. Muitas organizações se empenharam para combinar o que aprenderam durante o primeiro ano da pandemia com formas mais tradicionais de trabalho (incluindo na implementação de modelos de trabalho híbridos).

A pesquisa global da Deloitte “Women @ Work 2022”, realizada com 5 mil profissionais em 10 países, deixa claro que a pandemia continua afetando fortemente as mulheres. O burnout, por exemplo, atingiu níveis alarmantes. Ao mesmo tempo, muitas mulheres tomaram decisões de carreira e vida impulsionadas por suas experiências durante a pandemia. Para umas, isso significou buscar novos padrões de trabalho mais flexíveis; para outras, a decisão foi deixar completamente suas organizações ou o trabalho que desepenhavam.

O estudo destaca alguns desafios substanciais, mas que também mostram o impacto positivo das organizações que conseguiram se adaptar ao novo contexto.

A perspectiva brasileira

  • Relatos de burnout são ligeiramente menores do que a média global, mas a taxa aumenta entre as brasileiras de minorias étnicas: no País, 44% das mulheres se sentem esgotadas, enquanto a taxa global é de 46%.  No entanto, aquelas que pertencem a minorias étnicas no Brasil relatam níveis muito mais altos de estresse e esgotamento – entre as respondentes desse grupo, o número sobe para 54%.
  • Burnout, remuneração inadequada e falta de oportunidades de crescimento fazem com que mulheres queiram largar seus empregos atuais: para as brasileiras que procuram ativamente, o burnout (49%), a remuneração inadequada (27%) e a falta de oportunidades de crescimento nas organizações (16%) são os principais motivos para tal decisão.
  • Flexibilidade ainda não é uma realidade para muitas mulheres: assim como os números globais, cerca de um terço das mulheres no Brasil (34%) dizem que seus empregadores oferecem políticas de trabalho flexíveis. No Brasil, 95% acreditam que solicitar ou aproveitas as opções de trabalho flexível pode afetar negativamente uma possível promoção.
  • Trabalho híbrido oferece poucos benefícios às mulheres: semelhante à taxa global, as brasileiras que trabalham de forma híbrida são muito mais propensas a terem sofrido microagressões no ano passado (70%), mais do que aquelas que trabalham totalmente de maneira remota (33%) ou totalmente presencial (40%). A exclusão de interações ou de conversas informais foi a microagressão mais citada por mulheres no Brasil (12%).
  • Assédio e microagressões estão crescendo: na edição anterior, 44% das mulheres brasileiras passaram situações desse tipo; em 2022, o número subiu para 60%. No caso das mulheres em grupos étnicos minoritários, a situação é pior e elas estão mais propensas do que a média global, e que a média geral do Brasil, a vivenciar essas violências.
  • Organizações líderes em igualdade de gênero estão acertando, mas o cenário ainda preocupa: 24% das entrevistadas no levantamento global e 20% das entrevistadas no Brasil indicaram que trabalham em organizações com cultura menos iclusiva e de baixa confiança. Em contra-partida, o levantamento também aponta que mulheres que trabalham para líderes de igualdade de gênero relatam níveis muito mais altos de bem-estar e satisfação no trabalho.
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