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Implementação de RPA requer atenção a pontos estratégicos

Um planejamento que envolva toda a organização é fundamental para alavancar benefícios

Por Fabio Pereira e Martin Seefelder*

Ao passo que a utilização de ferramentas de robótica e automação de processos (RPA) cresce nos negócios, as organizações pioneiras na adoção dessas tecnologias já sentem os primeiros resultados positivos.

Segundo a pesquisa “Automation with Intelligence”, realizada pela Deloitte em 2019, 73% das empresas entrevistadas elencaram o aumento de produtividade como um dos três principais benefícios esperados de um projeto de RPA, enquanto a redução de custo ficou em segundo lugar, com 60%. As organizações com iniciativas consolidadas para automação reportaram um aumento de receita de 8% e uma redução de custos de 24%.

Apesar deste cenário animador, as ferramentas de RPA ainda não são utilizadas em larga escala nas empresas. Há diversos fatores para isso, mas o principal é a fragmentação de processos – citada por 66% dos respondentes da pesquisa como uma das três maiores barreiras para a implementação de um projeto de RPA.

E é justamente essa fragmentação que faz com que as empresas falhem na identificação de oportunidades de negócio que gerem, de fato, um retorno significativo para a organização. Empresas que promovem automações operacionais não conseguem enxergar o todo; e apenas benefícios isolados não justificam os esforços de implementação. A escolha da área que deve adotar as novas ferramentas é fundamental. É preciso considerar uma parte do negócio que tenha impactos estratégicos na organização inteira e que possa trazer um retorno financeiro importante.

Lacunas na comunicação com as equipes e um foco exclusivo em redução de custos podem também levar a um fechamento dos profissionais à automação. Organizações que enxergam a adoção de inovações tecnológicas como uma oportunidade para redefinir papéis, aproveitando as qualidades exclusivamente humanas de seus profissionais – como imaginação, criatividade e curiosidade – têm mais êxito nessa transição.

Por exemplo, um hospital no Reino Unido utiliza uma solução robótica para ajudar na triagem de seus pacientes, cruzando informações geradas pelos atendentes com dados de prontuários médicos eletrônicos para sugerir a urgência de atendimento. Com isso, os profissionais de saúde podem se concentrar nos cuidados com os pacientes e nas tomadas de decisão mais sensíveis. Em outro caso prático, uma empresa de produtos eletrônicos brasileira implementou a automação robótica para agilizar o atendimento dos pedidos de seus clientes, liberando assim a sua força de trabalho para analisar o comportamento do mercado, uma tarefa de maior valor para a organização.

Organizações de diferentes setores precisam endereçar essas questões e traçar um caminho claro que explore todas as possibilidades proporcionadas pela automação para impulsionar os negócios. Para empresas que estão em um estágio de maturidade mais avançado nesse tema, a RPA pode ser combinada com tecnologias mais robustas, como machine learning, optical character recognition (OCR) e natural language processing (NLP), para resultados ainda mais expressivos.

* Fabio Pereira é sócio de Consultoria em Tecnologia da Deloitte

* Martin Seefelder é líder de RPA e Automação Inteligente da Deloitte

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