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Tecnologia e pessoas

A grande máquina de criação de empregos

Os economistas Ian Stewart, Debapratim De e Alex Cole reuniram dados dos últimos 144 anos para avaliar como as mudanças tecnológicas têm afetado o emprego na Inglaterra e no País de Gales.

Principais descobertas

  • A tecnologia criou mais empregos do que reduziu nos últimos 144 anos;
  • Os avanços tecnológicos reduziram de trabalhos maçantes, perigosos e repetitivos. O setor agrícola foi o primeiro a experimentar essa mudança. Em 1871, ele era responsável por 6,6% da força de trabalho da Inglaterra e do País de Gales. Hoje, essa porcentagem representa 0,2%;
  • Em geral, a inovação tecnológica resultou em menos pessoas empregadas por sua força física e mais sendo contratadas para trabalhos que envolvem enfermagem ou assistência a outras pessoas. Em 1871, apenas 1,1% dos trabalhadores tinham profissões ligadas ao cuidado de saúde. Em 2011, esses profissionais ocupavam quase um quanto da força de trabalho dos dois países analisados;
  • A tecnologia impulsionou a contratação em setores de conhecimento intensivo, como medicina, contabilidade e serviços profissionais;
  • A tecnologia tem reduzir o custo de itens de uso diário, propiciou uma parte maior de rendimentos pessoais para outros gastos e, consequentemente, criou novas demandas e empregos. Em 1871, por exemplo, havia um cabeleireiro para cada 1.793 ingleses e galeses. Atualmente, há um profissional para cada 287.

 

Em um mundo de carros que não precisam de motoristas e que permite self-checkouts e serviços bancários por telefone, as pessoas teriam empregos?

Economistas da Deloitte analisaram dados dos census da Inglaterra e do País de Gales a partir de 1871 para entender o que a história poderia dizer sobre relação entre inovações tecnológicas e seus efeitos no mercado de trabalho. As informações reunidas mostram que a tecnologia criou mais empregos do que destruiu nos últimos 144 anos.

Observamos que esse papel de criadora de empregos, muitas vezes, não é atribuído à teccnologia por uma visão errônea de seus efeitos destrutivos para a mão de obra humana. Os últimos 144 anos demonstram, porém, que quando uma máquina substitui uma pessoa, o resultado é o crescimento mais rápido para a linha de produção e, com o tempo, o aumento de empregos. Como exemplo, é possível citar o cenário empregatício do Reino Unido: desde 1871, ele duplicou, o que comprova que mudanças tecnológicas coincidem com a criação, e não com a destruição, do trabalho.

Apesar de seus benefícios, as transformações tecnológicas trazem desafios políticos, a sociedade precisa estar preparada também para os alto índices de desemprego. As mudanças acontecem cada vez mais rápido e exigem habilidades cada vez mais específicas dos profissionais, o que pode aumentar as disparidades sociais. Avanços tecnológicos podem colocar a educação, capacitação da mão de obra e distribuição de renda no centro dos debates políticos dos próximos anos. 

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