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A empresa de transportes do futuro

Conheça as transformações previstas para o setor dos transportes nos próximos anos 

A profunda transformação que o setor dos transportes está a sofrer vai mudar drasticamente as prioridades das empresas que nele operam. Para sobreviverem ao novo ecossistema de mobilidade, têm de apostar em sistemas de transporte integrados e sem fricções, e ajustar a nova visão de futuro às suas operações comerciais e força de trabalho. Como? Através de uma aposta nos dados, de abordagens ágeis à resolução de problemas, de uma estratégia centrada no cliente e de um foco permanente na inovação e nos resultados.

As empresas das designadas indústrias tradicionais têm necessariamente de enfrentar mais desafios para se integrarem num mundo globalizado, em plena era digital. É o caso das empresas de transportes, empresas que possuem tipicamente processos e procedimentos enraizados, mas que têm agora de gerir uma infraestrutura que está em permanente evolução, e competir num novo ecossistema de mobilidade que transformou por completo todo o negócio.

Toda a cadeia de valor deste setor mudou. Como é que estas empresas podem tornar-se mais resilientes, adaptáveis e inovadoras? A mudança mais importante é também uma das mais difíceis – a cultural ou de mentalidade.

Estas empresas têm de deixar para trás os modelos de negócio centrados numa estratégia individualista e totalitária se quiserem sobreviver num ecossistema de mobilidade onde os intervenientes públicos e privados se coordenam para alcançarem melhores resultados. Esta mudança cultural é crucial e deve começar no topo da organização.

Transformações no setor dos transportes

O impacto desta transformação vai ser sentido de diferentes formas pelas empresas de transportes - dependendo da geografia, demografia dos viajantes, fontes de financiamento, ente outros fatores. Mas as regras são as mesmas: quanto proactivas forem, e mais cedo se conseguirem adaptar e posicionar na linha da frente, maior será a probabilidade de sucesso. Se optarem por apenas reagir, os obstáculos podem assumir outras proporções.

A Deloitte identificou cinco grandes áreas de transformação que vão obrigar as empresas de transportes a revolucionar o seu negócio:

Social – As empresas têm de acompanhar as novas tendências de consumo. As pessoas procuram opções de transporte dinâmicas e fiáveis, privilegiam a disponibilidade, a rapidez e a comodidade, e querem serviços digitais completos, mas simples. Muitas empresas já começaram a redirecionar o seu foco para o cliente e a combinar novos recursos e tecnologias para garantir a melhor experiência de utilização possível. O trunfo é reavaliar continuamente as prioridades para assegurar que os serviços oferecidos correspondem às necessidades reais e refletem as mudanças sociais.

Tecnológico – As transformações tecnológicas podem não parecer as mais urgentes, mas são aquelas que irão impactar de forma mais profunda este setor se não forem corretamente endereçadas. Mobilidade partilhada, veículos aéreos, elétricos, autónomos, não tripulados, conectados… As empresas mais inovadoras já fazem uso da IoT para obterem dados em tempo-real que permitem otimizar a gestão do seu negócio. Mas muitas vão ter dificuldade em atualizarem os seus sistemas e garantirem todas as competências necessárias para aproveitarem ao máximo as vantagens que as mais recentes tecnologias digitais podem oferecer, desde a cloud à analítica avançada. Os dados devem estar na base de todas as decisões.

Económico - À medida que os custos aumentam, as infraestruturas envelhecem e as fontes tradicionais de receitas diminuem, as empresas devem estar preparadas para estabelecer parcerias e explorar outras opções que possam gerar novas receitas para colmatar a crescente falta de financiamento. A Califórnia, por exemplo, poderá perder 1,3 mil milhões de dólares em receitas de impostos sobre combustíveis devido à Covid-19. Algumas empresas estão a explorar fontes de receitas alternativas, como taxas de congestionamento, taxas de utilização baseadas na quilometragem, impostos sobre o carbono e monetização de dados. Outras seguem parcerias público-privadas para oferta e financiamento de projetos de transporte.

Ambiental – A expectável redução da poluição e de outros efeitos negativos tem um forte impacto sobre o sector. Pede-se às empresas de transporte que atenuem as emissões, reduzam a utilização de veículos de ocupação única e adaptem as suas infraestruturas aos efeitos das alterações climáticas. Estas regras podem criar novas oportunidades de negócio. As empresas de transportes da Califórnia estão a alterar os seus processos e a considerar novas técnicas de gestão da procura e programas de incentivo à mobilidade partilhada.

Governamental - Os governos utilizam cada vez mais a tecnologia para aumentar a participação cívica e alavancar a especialização descentralizada para a reinvenção dos serviços centrais. A curto prazo, as empresas podem implementar o crowdsourcing e a economia comportamental ("nudging") para avaliar e captar as preferências e perceções geracionais. Devem ainda considerar o investimento em regulamentação inteligente e respostas políticas que acompanhem as inovações da indústria.

Apesar da mudança cultural ser um driver crucial, esta transformação obriga também a um investimento nos recursos, processos e sistemas necessários para antecipar e enfrentar as tendências disruptivas. A política e o planeamento dos transportes devem ser refeitos e centrados nos dados, na tecnologia e nas capacidades humanas necessárias para uma adaptação ao mundo digital. A análise de dados pode ser utilizada para expor processos ineficientes, monitorizar o desempenho do projeto, estimar receitas, e compreender plenamente as considerações de segurança, reforçando a capacidade das empresas para tirar o máximo partido dos escassos recursos e proporcionar os melhores resultados aos stakeholders.
 

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