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Dados: o novo bem de primeira necessidade dos Governos

Qual o papel dos dados na promoção do bem público? 

A evolução tecnológica é constante e os dados assumem um papel cada vez mais determinante na inovação e nos processos de transformação. Ainda assim, são poucos os que já conseguem aproveitar todo o seu potencial. É o caso dos Governos. Em causa não está apenas a sua correta utilização. É preciso definir de forma clara o papel dos dados na promoção do bem público e na e o papel das equipas responsáveis por toda a sua gestão.

Há alguns anos, a disponibilização dos dados aos cidadãos, de uma forma simples e rápida, foi uma das primeiras preocupações dos governos. Mas desde então muita coisa mudou, nomeadamente a perceção do real valor dos dados – o debate deixa de estar centrado na quantidade de dados disponível, para se focar na qualidade dos mesmos.

Atualmente os dados são o ativo mais valioso de qualquer organização. Podem otimizar políticas públicas, medir o impacto de programas governamentais, identificar e estimular novas oportunidades de investimento, detetar falhas e suportar todas as decisões em múltiplas frentes: infraestruturas, habitação, educação, saúde, energia, e muitas outras áreas.

Para além disto, os dados do sector público estão cada vez mais no centro das atenções. A pressão pública por uma comunicação transparente e por responsabilização está a aumentar. Por outro lado, todas as organizações que estão de alguma forma ligadas ao ecossistema governamental pedem uma maior e melhor partilha e aproveitamento da informação para a otimização de parcerias, políticas e iniciativas.

Os governos recolhem, mas também produzem diariamente grandes quantidades de dados, quer diretamente através das entidades públicas, como de organizações associadas. Mas, neste caso, quantidade não significa qualidade.

Os governos têm de rever o seu papel enquanto supervisores da informação que é passada ao público. Isto inclui entre outras coisas:

  • Validar e gerir os dados para assegurar uma informação que acrescente valor
  • Desenvolver as melhores políticas de privacidade e de ética
  • Criar estruturas e estratégias de governação ajustadas a toda a cadeia valor – desde a recolha de dados, à sua utilização. Quem dá permissão para a utilização de dados? Como são concebidas essas permissões? Qual o melhor modelo de partilha de dados entre agências, assegurando a privacidade? Deve existir um formato padrão exclusivo do governo? Quando podem os dados recolhidos para um fim ser utilizados para outros fins? Quais são as diretrizes legais em torno da partilha de dados?
  • Reconhecer a importância de recursos dedicados com competências específicas nesta área - Chief data officers (CDOs), chief information officers (CIOs), and chief technology officers (CTOs).

Os líderes tecnológicos governamentais vão desempenhar um papel cada vez mais importante na obtenção de melhores resultados públicos, quer a nível local, como nacional. Como tal, é importante que entendam as múltiplas responsabilidades deste papel. Para além da salvaguarda dos dados governamentais, devem ajudar os restantes organismos a utilizar melhor os seus dados e a disponibilizá-los da forma mais correta aos cidadãos, sem nunca descartarem a supervisão da privacidade e a proteção da informação. Numa altura em que tecnologias como o machine learning, a Internet-of-Things (IoT) e o data blending estão a dominar as atenções, esta gestão torna-se ainda mais crítica. Os governos devem perceber rapidamente a importância de criar uma equipa, estrutura, e orçamento que possa apoiar e gerir adequadamente estes ativos.

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