Artigo

O futuro do trabalho na área da saúde 

Desafios e vantagens do novo paradigma de trabalho no setor da saúde

A adoção do trabalho remoto no período de pandemia acelerou a modernização das empresas do setor da saúde, com a criação de novas oportunidades de inovação, maior diversidade e um foco crescente no bem-estar.

As organizações de saúde, como muitas outras, com o passar dos meses têm vindo a aperceber-se que os locais de trabalho como os conhecíamos na pré-pandemia vão deixar de existir e estão a explorar estratégias e soluções para transformar o seu modo de trabalho. No entanto, os desafios são diversos, com destaque para a preocupação com a perda de cultura organizacional.

O Deloitte Center of Health Solutions entrevistou 100 colaboradores do setor da saúde e 13 Chief Human Resources Officers (CHRO) e revela que antes da Covid-19, apenas 9% dos inquiridos afirmam que os empregadores introduziram novas formas de trabalho, enquanto que nos meses a seguir ao início da pandemia, esta resposta aumentou para 78%. O inquérito indica ainda que os líderes têm vindo a olhar para este período como uma oportunidade de repensar os modos de trabalho e a organização das suas equipas.

Adicionalmente, a saúde mental e o bem-estar foram identificados como os elementos primordiais no contexto de trabalho virtual. Assim sendo, as organizações de saúde estão a criar estratégias para evitar o esgotamento e explorar formas de ajudar os colaboradores a criar ligações significativas entre si, reduzindo o stress.

Trabalho remoto é uma ameaça à cultura organizacional?

A maior preocupação demonstrada pelos entrevistados é que o trabalho virtual prejudique a cultura e a ligação entre as suas pessoas. Para muitas organizações o local de trabalho físico integra a sua própria cultura e receiam o que estas alterações possam significar para a sua missão e propósito. Uma análise assente em dados científicos sobre a adaptação dos seus colaboradores às novas formas de trabalhar, o seu desempenho e produtividade, pode ajudar as organizações a desenvolver estratégias que possam criar resiliência e preservar a sua cultura organizacional.

Por outro lado, as organizações estão focadas em desenvolver uma maior consciência social nos seus colaboradores, de forma a aumentar a diversidade, equidade e inclusão. Na verdade, a mudança para o trabalho remoto é vista como uma oportunidade para desenvolver novas ideias, revisitar o status quo e promover um ambiento de pertença. Esta nova abordagem veio concretizar importância de um bom líder, empático, que consiga gerir a mudança e, simultaneamente, contruir relações positivas.

Os lideres pretendem agora analisar as ligações existentes entre os seus colaboradores e a melhor forma de tornar a comunicação entre todos mais clara e transparente, ainda que à distância. Adicionalmente, na possível transição para o modelo hibrido de trabalho virtual em casa e onsite no escritório torna-se importante assegurar igualdade de acesso aos lideres e equipas. O estudo realizado pelo Deloitte Center of Health Solutions demonstra que organizações inclusivas e com diversidade superam os concorrentes e são mais inovadoras e resilientes.

Em resumo, de acordo com os resultados do estudo, as empresas devem considerar:

  • Medir a produtividade através de resultados e dados analíticos;
  • Apostar na mentoria e no desenvolvimento/formação em ambiente virtual;
  • Disponibilizar formas de trabalho flexíveis;
  • Garantir que os colaboradores reconhecem e utilizam as tecnologias e ferramentas que são disponibilizadas;
  • Garantir processos de tomadas de decisões mais expeditos;
  • Aumentar a delegação e reduzir a microgestão; 
  • Desenvolver operações recorrendo à Inteligência Artificial;
  • Promover uma cultura de reconhecimento
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