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Os dados no centro da transformação digital dos governos

Saiba como a correta recolha e partilha de dados pode ajudar os governos a ser mais eficientes 

Uma maior fluidez dos dados pode beneficiar os governos de muitas maneiras, mas existem desafios que têm de ser ultrapassados. Uma nova dinâmica de dados exige novas formas de governação, e a padronização, interoperabilidade, segurança e privacidade são tópicos cruciais para a partilha de dados que têm de ser endereçados.

Cada vez mais os governos estão a transforma-se em organizações orientadas para o conhecimento. Sustentam as suas decisões na informação, apostam na recolha, tratamento e análise de dados para otimizarem todos os mecanismos de gestão e aproveitam a informação para se aproximarem dos cidadãos e para atingirem mais rapidamente todos os seus objetivos. De uma forma simples, estão a perceber que a correta recolha e partilha de dados pode ajudá-los a poupar tempo, dinheiro e até vidas.

Mais recentemente, os governos apostaram na recolha e partilha permanente de dados para facilitar a investigação e a criação de soluções de combate ao novo coronavírus. A pandemia tornou toda esta dinâmica de dados ainda mais fluida, mas não impôs uma tendência. Há muito que o setor público segue uma estratégia centrada na informação e aposta particularmente em algumas áreas: 

  • Promover a partilha de dados

A obtenção, partilha e reutilização de dados são elementos estratégicos vitais para a maior parte dos países. Um pouco por todo o mundo, agências públicas estão a criar plataformas de dados especializadas e ecossistemas de dados que facilitem a partilha de informação com outras agências governamentais, grupos comunitários, académicos e indústrias, de uma forma segura e controlada.   

Estas plataformas de partilha podem melhorar significativamente os serviços públicos - da otimização dos processos administrativos, à investigação e desenvolvimento, passando pelo aumento da transparência, melhoramento dos cuidados de saúde e de segurança, agilização dos serviços ao cidadão, entre outros exemplos.

Existem ainda algumas barreiras. Os dados na posse dos governos têm sido frequentemente mantidos em silos e a falta de normas comuns condiciona a troca de informações entre diferentes agências, mas estas questões serão resolvidas brevemente.

  • Facilitar o FAIR e dados padronizados – Os governos estão a adotar os princípios FAIR (localizável, acessível, interoperável, e reutilizável) para assegurar que os dados públicos possam ser acedidos de forma eficiente. Como? Através da criação de formatos padronizados e interoperáveis e de ferramentas web e cloud. Os princípios FAIR enfatizam especificamente a capacidade das máquinas (e não tanto dos seres humanos) encontrarem e utilizarem automaticamente os dados. Em última análise, isto torna os dados mais úteis para os investigadores e promove a inovação.

 Os governos estão também a utilizar interfaces de programação de aplicações (APIs) para melhorar o acesso aos dados e permitir um intercâmbio seguro de informação entre agências governamentais

  • Redesenhar a governação dos dados – A maior necessidade de partilha de dados está a levar os governos a rever a governação dos dados, a redefinir os parâmetros de propriedade, ética, transparência, as normas de qualidade e a reforçar a proteção da informação. A pandemia acelerou a adoção dos dados enquanto ferramenta estratégica, mas também veio expor algumas destas fragilidades.

O conceito de propriedade de dados pode parecer simples, mas não é. Se eu tiver dados sobre uma pessoa na minha base de dados, a quem pertencem esses dados? Depende do tipo de dados? É verdade que a grande maioria dos países já começou a estabelecer políticas de privacidade e propriedade de dados, dando aos cidadãos maior controlo sobre a sua informação. Ainda assim, nem sempre estas regras são universais. No Reino Unido, por exemplo, o Serviço Nacional de Saúde, o NHS England e NHS Improvement controlam os dados da aplicação Covid e podem determinar a finalidade da recolha de dados, decidir se os dados devem ser partilhados, estabelecer a duração durante a qual uma aplicação pode reter os dados, entre outros exemplos.

Para garantirem maior segurança, os governos estão também a adotar um conceito conhecido como "privacy by design", que integra recursos de segurança durante as fases iniciais de conceção de produtos e processos.

O permanente foco na privacidade, utilização ética, segurança e transparência é fundamental para a confiança. 

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