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Liderança, resiliência e stress

Qual a relação entre eles e de que forma afetam a produtividade das empresas? 

Os períodos de crise são, tipicamente, geradores de stress. Muitas vezes as suas principais causas fogem ao controlo de cada um de nós, pelo que as empresas devem assumir um papel vital no alívio do stress.

Para além do impacto visível de uma crise como a da Covid-19 na saúde pessoal, na família e na estabilidade financeira, momentos de sobrecarga de stress poderão resultar num enfraquecimento da memória, da capacidade de resolução de problemas e, consequentemente, na diminuição de produtividade dos colaboradores, tendo, por isso, repercussões significativas também ao nível do negócio.

Como é que os líderes de uma empresa podem ajudar os seus colaboradores a adaptar-se após um período de crise e a controlar os seus níveis de stress e resiliência a curto-prazo? Esta poderá ser a chave para a prosperidade das empresas nos meses que se seguem.

Stress - como o podemos usar a nosso favor

A resposta ao stress varia de pessoa para pessoa. Pesquisas demonstram que, de forma geral, as pessoas experienciam 3 tipos de stress:stress bom, stress tolerável e stress tóxico.

O stress bom pode ser caracterizado por uma situação de stress cujo resultado é positivo, ou seja, potencia a concentração e pode resultar em crescimento. Stress tolerável ocorre quando algo desafiante acontece, mas, com recursos internos e externos conseguimos relativiza-lo e recuperar rapidamente os níveis normais. Stress mau ou tóxico ocorre quando algo negativo acontece e as pessoas não têm recursos suficientes ou apoio para ultrapassar essa fase. É neste último caso que é necessário uma maior intervenção das empresas, ao cuidar das suas pessoas, ajudando-as a gerir o stress e criar resiliência. É, na verdade, uma importante forma de proteger o investimento que já foi feito nas pessoas, protegendo, simultaneamente, o investimento no negócio.

Mas o que é a resiliência? A resiliência é um músculo emocional que deve ser fortalecido para superar os desafios ao longo da vida. É algo que gera resultados quando cultivado e mantido intencionalmente. Os dados demonstram que a maior parte das vezes sobrevalorizamos a nossa resiliência em situações de stress.

As organizações, e os seus lideres em particular, têm muito para oferecer aos seus trabalhadores no que diz respeito à gestão do stress e ao desenvolvimento de resiliência, através do foco em três pilares: prontidão, resposta e recuperação.

Na fase da prontidão as empresas proactivamente disponibilizam recursos para a gestão do stress de forma consistente através do desenvolvimento de um ambiente emocionalmente seguro no local de trabalho, implementação de um plano de programas e benefícios e prevenção primária através de ações junto dos trabalhadores. Tais medidas contribuem para o desenvolvimento de um maior controlo dos trabalhadores relativamente ao seu bem-estar, capacitando-os a tomar decisões positivas e a agir quando começa a haver uma sobrecarga de stress tóxico.

Na fase da resposta, a abordagem deve focar-se em eliminar o stress e preveni-lo. Inicialmente deve ser feito um levantamento das necessidades e desafios dos trabalhadores para que a resposta seja mais eficiente e rebusta, assegurando a continuidade do negócio e estabelecendo uma base de confiança.

De acordo com o Deloitte 2020 Human Capital Trends Survey, antes da COVID-19, apenas 26% dos inquiridos reportaram que os seus lideres já promoviam consistentemente o bem-estar, o que significa que esta pode ser uma oportunidade para avaliar e promover o uso de programas e benefícios de bem-estar durante o período desafiante que vivemos.

Na fase da recuperação os trabalhadores testam a sua resiliência à medida que se adaptam à mudança de ambiente de trabalho. Enquanto alguns poderão estar prontos para abraçar novos desafios, outros talvez possam necessitar de mais tempo para mitigar as consequências psicológicas e físicas decorrentes da situação de crise que viveram. Por esse motivo, é fundamental manter flexibilidade e ajustar expetativas, tranquilizando dessa forma os trabalhadores.
As ações tomadas durante as três fases dão estabilidade, espaço e oportunidade para criar resiliência e desbloquear o caminho para uma recuperação e adaptação dos trabalhadores e das respetivas empresas.

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