Comunicados de Imprensa

Hospitais portugueses estão mais digitais mas profissionais de saúde querem mais formação

  • Estudo realizado revela que, em Portugal, 81% dos médicos e enfermeiros inquiridos considera que a pandemia levou hospitais a tornarem-se mais digitais;
  • Portugal está, no entanto, abaixo da média europeia na utilização de tecnologias 4.0 no setor da saúde (Inteligência Artificial; robotização);
  • Pesquisa conclui que a larga maioria dos profissionais de saúde (56%) requer mais formação na área tecnológica e que 47,3% nunca recebeu qualquer treino;
  • “Burocracia” (66,7%) e dificuldade em “encontrar as tecnologias certas (62%) são os principais entraves à maior digitalização do setor;
  • Inquérito foi realizado em 7 países Europeus: Portugal, Itália, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos, Dinamarca e Noruega.

LISBOA, 8 de outubro de 2020 — A adaptação dos hospitais portugueses às novas exigências causadas pela pandemia Covid-19 passou por um aumento da implementação de novas tecnologias e de soluções digitais como resposta às necessidades de profissionais de saúde e pacientes. Esta é uma das principais conclusões do estudo “Digital Transformation: Shaping the future of European healthcare” da Deloitte realizado em sete países europeus entre os quais Portugal. Os outros países são Itália, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos, Dinamarca e Noruega.

Em Portugal, a pesquisa abrangeu uma amostra de 150 profissionais, dos quais 40% são especialistas, médicos de cuidados secundários ou cirurgiões, 36,7% são médicos de clínica geral e 23,3% são enfermeiros. Um total de 86,0% dos profissionais inquiridos trabalha em hospitais públicos.

De acordo com o estudo, assistiu-se na Europa a uma ampla adoção de tecnologias digitais de apoio ao trabalho dos médicos em resposta à Covid-19. Em Portugal, 80% dos profissionais de saúde inquiridos afirmam que a sua organização aumentou a adoção de tecnologias digitais em grande medida ou em certa medida, para apoiar as suas formas de trabalho em resposta à pandemia Covid-19.

A mesma pesquisa conclui que, no nosso país, cerca de 81% dos clínicos inquiridos afirmam que a sua organização aumentou a adoção de tecnologias digitais para fornecer suporte virtual e formas de envolvimento com os pacientes em grande ou alguma extensão.

No entanto, apesar deste aumento na adoção de soluções digitais pelos hospitais portugueses, o estudo verifica que os médicos e enfermeiros portugueses consideram que o esforço de formação nesta área não acompanhou o aumento do recurso a soluções digitais.

O estudo revela que, em Portugal, apenas 44% dos médicos e enfermeiros inquiridos estão razoavelmente satisfeitos ou muito satisfeitos com a formação ministrada, o que pode ser atribuído a um menor número de ações de formação e apoio prestado à utilização de tecnologias no país como um todo.

Este dado compara com os mais de 60% dos médicos na Holanda e no Reino Unido que estão razoavelmente satisfeitos ou muito satisfeitos com a formação disponibilizada, o que é maior em comparação com os resultados de outros países participantes da pesquisa e pode ser atribuído à quantidade de formação e suporte fornecido para usar tecnologias nesses países.

Outro dado importante revela que, em Portugal, 47,3% dos profissionais de saúde nunca recebeu, por parte da sua organização, qualquer formação relativa à utilização de novas tecnologias ou recursos digitais. Este dado compara com a média europeia que, neste capítulo, se situa nos 25,5%.

O estudo da Deloitte conclui também que, em Portugal, os profissionais de saúde acreditam que as suas organizações estão preparadas para adotar tecnologias digitais. Em Portugal, 84% dos médicos e enfermeiros inquiridos consideram que a sua organização está razoavelmente bem ou muito bem preparada para a adoção de tecnologias digitais, o que é superior à média europeia (74%).

Na Dinamarca, Holanda, Noruega e Itália 89%, 84%, 79% e 75% dos médicos, respetivamente, acham que sua organização está razoavelmente bem ou muito bem preparada. Cerca de um terço dos médicos na Alemanha e no Reino Unido pensam que sua organização não está nem um pouco preparada para a adoção de tecnologias digitais.

De acordo com o “Digital Transformation: Shaping the future of European healthcare”, quando questionado quais os três principais desafios da sua organização relativamente à implementação de novas soluções tecnológicas, em Portugal, a “Burocracia” (66.7%) é o maior obstáculo seguido de “Encontrar as tecnologias certas” (62%) e da “Formação adequada do staff para o uso da tecnologia” (44%).

O inquérito conclui ainda que, em termos gerais as soluções digitais mais utilizadas pelos profissionais de saúde em Portugal são a “Receita Eletrónica” (96%), o “Registo Eletrónico de Saúde” e as “Plataformas/Ferramentas de acesso online” (para cuidados primários ou hospitalares). Contudo, apesar de a pesquisa concluir que Portugal é bom utilizador de tecnologias digitais, ainda não foi dado o salto para a adoção massiva de tecnologias da vaga 4.0 (e.g. Inteligência Artificial, genomics, robotização).

“O estudo mostra indicadores encorajadores acerca da adoção de novas tecnologias por parte das organizações de saúde. Indica-nos que a pandemia veio acelerar, de facto, a transformação digital e que é cada vez mais decisivo apostar na formação dos profissionais de saúde para que esta mudança sirva da melhor forma tanto pacientes como profissionais de saúde”, diz Carlos Cruz, Partner e líder do setor de Life Sciences & Health Care da Deloitte. “No entanto, temos que ter em conta que transformação digital não diz respeito apenas à implementação de tecnologia, mas também a uma mudança ao nível da cultura e mentalidade de todos os que dela usufruem”.

Consulte aqui o estudo “Digital Transformation: Shaping the future of European healthcare”.

Sobre o estudo
O estudo “Digital Transformation: Shaping the future of European healthcare” (2020), elaborado pela Deloitte analisa os resultados de uma pesquisa online realizada em 7 países europeus num total de 1781 inquiridos (Itália-401; Alemanha-400; Reino Unido-400; Portugal-150; Países Baixos-150; Dinamarca-140; Noruega-140) sobre a perceção dos profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e acerca da adoção de novas tecnologias por parte das unidades de saúde em que colaboram.

Para mais informações contacte:


Olga Neves

Media Relations & External Communication
oneves@deloitte.pt
Tel: (+351) 210 423 000
Tlm: (+351) 918 985 824

João Póvoas
Media Relations & External Communication
jpovoas@deloitte.pt
Tel: (+351) 210 423 000
Tlm: (+351) 919 290 571

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