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Have you met the new consumer?

O novo perfil do consumidor português

Analisámos os fatores de contexto e as tendências que estão a alterar os padrões de consumo alimentar em Portugal. Conheça os dez perfis do “novo consumidor”, desenvolvidos pelo C-Lab.

ADN atleta

Cortei muito na alimentação porque como atleta federada tenho de entregar análises todos os anos (…) senão o seguro não cobre. E houve alturas em que tinha a tensão um pouco elevada. E com os cuidados com a alimentação, a coisa passou a estar mais controlada. Adotei coisas como comer determinados suplementos alimentares, sementes de chia e cereais, que não comia. Pratico jiu-jitsu para o controlo de peso, apercebi-me que tem algum efeito.

 

O desporto não é um hobby, é algo que define e condiciona fortemente não só o seu tempo e rotinas, mas a própria forma de encarar a vida. É do desporto que se retiram prazer e confiança; é no desporto que se sedimentam redes de relação; é pelo desporto que se afirmam. 

35,5% considera que a prática de desporto define ou condiciona não apenas o seu tempo e as suas rotinas, mas a sua própria forma de encarar a vida

Consciencialistas

Nós não somos vegetarianos restritos, comemos peixe… não comemos muita quantidade, comemos pouca quantidade e variamos bastante. O impacto [ambiental] é muito forte e nós, com filhos, não podemos deixar de pensar que daqui a 30 anos pode haver escassez de recursos só porque agora queremos comer um hambúrguer. Não pode ser (…) Eu amamentei a minha filha durante 31 meses.
 

Altamente informados, conscienciosos e “cuidadores”, estes consumidores maduros questionam modos de vida alicerçados no consumo, abdicando do que consideram ser excessivo e privilegiando o sustentável. Procuram equilíbrio entre qualidade de vida e minimização dos danos colaterais (ambientais, sociais e económicos) das suas escolhas. 

49,3% dizem que consumir menos e de forma consciente é cada vez mais um princípio pelo qual orientam os seus comportamentos e estilo de vida

Crianças2

Eu vou sempre às compras com a minha avó. Gosto de ir, compro as minhas bolachas e assim sei o que me vão dar de comer (…) Eu é que cheiro as coisas e depois digo se gosto. Dizem que eu sou muito esquisita, mas eu escolho também pelo preço, habituaram-me a isso (…) olho para o preço da unidade e do quilograma…
 

Crianças e adolescentes expostos a uma multiplicidade de estímulos, alguns deles itinerantes entre diferentes famílias, casas e modelos de consumo, são fazedores precoces de opinião. Têm poder e sabem o que querem, influenciando profundamente as escolhas dos adultos. 

92,4% dos pais dão abertura aos filhos para dar opinião nas compras de supermercado

Espíritos de Hígia

Estou convencida que nós somos aquilo que comemos. Não sou fundamentalista, mas prefiro ser eu a fazer a minha comida para controlar o que as coisas levam e, também, porque me sabe melhor (…) Sempre que posso tento consumir o que é português (…) Uma das coisas que me interessa mais é o contacto pessoal, saber exatamente quem é a pessoa que vem entregar as coisas [cabazes de frescos] a casa.
 

Pessoas que interiorizam a defesa da saúde e do bem-estar físico como um objetivo primordial. Quem empreende nesse caminho reconhece ser uma viagem sem retorno que toca todos os aspetos da vida e do consumo quotidiano. 

59,5% afirma que a preocupação com a sua saúde e bem-estar se reflete no seu quotidiano e nas escolhas de consumo que faz

Geração aquém

(…) de um modo geral, preocupa-me imenso a qualidade na comida. (…) Resolvemos por exemplo fazer um “São João” com os amigos… fomos às seis da manhã à lota e fizemos um grande negócio (…) Se calhar se não me tivesse preocupado com o preço das sardinhas, tinha ido ali ao Pingo Doce e resolvia rápido. Não podendo, tenho de pensar como vou fazer… No entanto, não sofro com o assunto: vou satisfeito fazê-lo!
 

Indivíduos nos trintas que trabalham, contribuem para a sociedade, querem progredir mas não conseguem. Veem as suas metas sucessivamente adiadas e estão longe daquilo que eram as suas expetativas para esta fase das suas vidas. 

34% dos indivíduos entre os 25 e 34 anos declaram sentir que em termos profissionais e/ou económicos ainda estão longe daquilo que perspetivaram para esta fase da vida

Marido 2.0

O primeiro a chegar começa logo a fazer o jantar. Nós temos sempre alguma comida que seja rápida de fazer. (…) Procuramos sempre comprar leite no Continente a um preço mais acessível, (…) e tentamos aproveitar o vale de desconto de 10%, comprando logo 50 litros. No Pingo Doce geralmente é o detergente, o puré, são as castanhas... É mais fácil fazer as compras à noite. Por vezes chegamos ao Colombo ou ao Vasco da Gama quase à meia-noite…
 

As responsabilidades são cada vez mais partilhadas entre os casais, deixando de haver as tarefas tradicionalmente femininas ou masculinas. Estes maridos e pais não se limitam a realizar pequenas tarefas partilhando por completo as responsabilidades e a organização da casa. 

45% os homens afirmam serem eles que costumam cozinhar em casa

Mindset no age

Eu gosto imenso de cozinhar, (…) Todos nós aqui em casa gostamos imenso de comer coisas boas. Não somos de comida fácil. Não tenho em casa azeite que não seja virgem extra (…) Às vezes dá-nos gozo fazer iogurtes ou queijo fresco.
 

Seniores cujas escolhas são, acima de tudo, ditadas por projetos pessoais ou interesses individuais. Esses projetos subentendem muitas vezes um espírito jovem – a crença de que a idade define pouco o que se pode ou não fazer. 

12% dos indivíduos com 60 anos ou mais não consegue imaginar quando se sentirá uma pessoa da 3ª idade

Neo realistas 

Vejo que a minha mulher faz um enorme esforço em termos de refeições e de cuidados com ela própria. (…) Deixámos de jantar fora,… não quer dizer que uma vez por outra não o façamos (…) mas hoje valorizamos a escassez. É ela que vai ao Continente, vê tudo o que está com preços mais baixos, faz as suas opções de compra em função disso. Tem sido espetacular!

 

De uma classe média penalizada pela crise, emerge um segmento de portugueses resilientes, que preferiu reinventar-se à resignação. Estes consumidores redefiniram as suas prioridades, os conceitos de sucesso e de realização pessoal. 

36,5% sentem que redesenharam o seu estilo de vida nos últimos anos mas consegue ver muitos aspetos positivos nessa mudança

Novos solteiros

Para as pessoas que vivem sozinhas, há uma fase que toda a gente passa, quilos de comida para o lixo, a comida apodrece no frigorifico porque não apetece cozinhar. O grande investimento na minha vida foram os tupperwares individuais, todos se encaixam uns nos outros não ocupando muito espaço. O que é absolutamente crucial para uma pessoa que vive sozinha: doses individuais.
 

Escolhem rotas de vida alternativas, não norteadas pelo objetivo último de viver em casal ou de ter filhos. Estes consumidores têm novas ordens de prioridade também em termos de consumo, balanceando flexibilidade com a necessidade de suportar estruturas domésticas sozinhos. 

36% afirmam conhecer cada vez mais pessoas que optam por viver sozinhas (sem compromissos e sem filhos)

Seniores ao serviço

O avô é que cozinha, sempre! Desde que começou a ter amor à cozinha, as filhas deram-lhe livros de culinária. E depois ando a lavar a loiça, atrás dele! Os nossos netos não comem bacalhau nem comem peixe em casa dos pais, e aqui comem! Há 2 netas, as mais velhas, que vêm cá ter para lanchar. Todos os meses vou a casa do meu filho levar comida, no mês passado o carro ia cheio até cima.

 

Casais ou indivíduos sozinhos reformados mas ativos, que vivem fisicamente próximos dos filhos e netos, cuja rotina e opções de vida são principalmente condicionadas pelas necessidades desses outros agregados.

35% dos seniores ajudam nas compras do supermercado da sua família (filhos e netos)

Os dados apresentados são relativos a estudos de mercado conduzidos pelo C-The Consumer Intelligence Lab no âmbito da sua investigação anual ‘Tendências de Mudança do Consumidor em Portugal’.

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