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2021 Global Health Care Outlook

O que esperar do setor da saúde em 2021

A pandemia colocou uma grande pressão sobre os profissionais dos sistemas de saúde, infraestrutura e cadeia de abastecimento e expôs as desigualdades sociais em termos de acesso aos cuidados de saúde. Por outro lado, acelerou as mudanças em todo o ecossistema de saúde, forçando os sistemas de saúde público e privado a um processo de adaptação e inovação num curto espaço de tempo. O que podemos esperar em 2021?

Um conjunto de mudanças surgiram ou foram exacerbadas com a disseminação da Covid-19. O crescente envolvimento dos consumidores na tomada de decisão sobre cuidados de saúde, a rápida adoção de saúde virtual e outras tecnologias digitais inovadoras, a interoperabilidade de dados e data analytics e a colaboração público-privada sem precedentes no desenvolvimento de vacinas e terapêuticas são apenas alguns exemplos das muitas dinâmicas que governos, prestadores de cuidados de saúde, utentes, entre outros stakeholders, estão a ser desafiados para dinamizar, adaptar e inovar rapidamente.

O 2021 Global Health Care Outlook da Deloitte dá a conhecer seis temas urgentes a serem endereçados pelos responsáveis do setor da saúde, tirando partido do momentum e das respostas organizacionais e do ecossistema da saúde aos desafios da Covid-19

A forma como os diversos stakeholders analisarem, compreenderem e responderem aqueles desafios irá definir a sua capacidade para passar da fase de recuperação para um cenário de crescimento, e será determinante para o seu papel no Futuro da Saúde.

Experiência do cidadão enquanto consumidor de serviços de saúde

O papel do cidadão enquanto consumidor de serviços de saúde é cada vez mais influente, e está a impulsionar e a acelerar o ritmo das mudanças no setor da saúde. As suas necessidades, exigências estão a impulsionar a inovação de produtos, serviços e modelos de prestação de cuidados de saúde. As suas preferências e expectativas promovem novos tipos de interação entre médico e paciente assente em soluções digitais e modelos de prestação de cuidados centrados no paciente.

A tecnologia pode ajudar o consumidor a acompanhar, gerir e monitorizar mais eficazmente a sua saúde. A partilha e interoperabilidade dos dados pode acelerar e melhorar significativamente a prestação de cuidados de saúde, no entanto, a confiança dos cidadãos nunca pode ser comprometida. As organizações devem demonstrar fiabilidade, transparência e ética na forma como operam estes dados.

Tudo isto vai transformar a tradicional prestação de cuidados de saúde numa experiência de saúde holística e personalizada.

Inovação nos modelos de cuidados de saúde

Os modelos de prestação de cuidados de saúde atuais, orientados em torno do prestador, focados na saúde física, priorizando a localização e modelo de pagamento, ao invés das necessidades do consumidor, podem constituir-se como um entrave na resposta aos desafios financeiros, de acessibilidade, qualidade e eficiência. Tudo isto trava a inovação. A inovação dos modelos de cuidados de saúde pode não só promover uma experiência muito mais satisfatória para pacientes e profissionais de saúde como também reduzir os custos.

Digitalização e interoperabilidade de dados

A digitalização pode ajudar as organizações de saúde individuais e o ecossistema de saúde mais amplo a melhorar as formas de trabalhar, expandir o acesso aos serviços e oferecer uma experiência mais eficaz ao paciente e ao profissional de saúde.

Três tecnologias estão a desempenhar um papel cada vez mais importantes no processo de modernização de todo o ecossistema de saúde: computação em nuvem, inteligência artificial (IA) e prestação de cuidados virtuais.

Tendências socio-económicas

Existem muitas desigualdades no acesso aos cuidados de saúde e a pandemia veio expor e acentuar muitas delas. As crises socioeconómicas e de saúde mental e comportamental tornam claro que os intervenientes no panorama dos cuidados de saúde precisam inovar para melhor servir as necessidades das pessoas.

Endereçar rapidamente as classes mais desfavorecidas, intervir mais cedo, apostar na formação e na educação, e criar laços mais fortes com a comunidade são alguns dos pontos mais importantes. A combinação do poder das tecnologias disruptivas com os ecossistemas pode promover a mudança, desenvolver um conjunto de iniciativas e compromissos que ajude os indivíduos a gerir proactivamente a sua saúde e bem-estar e a fomentar um sentido de comunidade e de pertença.

Colaboração

No meio do caos, a pandemia promoveu um ponto muito positivo: a colaboração em todo o ecossistema da saúde. Sem fronteiras seguras, entidades públicas e privadas, governos, universidades e as mais distintas indústrias uniram esforços para promover novos comportamentos, modelos de negócio e de financiamento, combinações de produtos e serviços por parte de incumbentes e de novos participantes.

Espera-se o surgimento de alianças entre os incumbentes da saúde e os gigantes tecnológicos, e muitas parcerias focadas na criação de valor através da combinação e análise de dados, e da sua conversão em intervenções que poupam custos e melhoram a qualidade e a experiência do utilizador.

Future of work e talento

Devido à pressão imposta pela pandemia, os sistemas de saúde foram obrigados a reforçar os seus quadros com mais profissionais de saúde. E quando esta pressão terminar? A cloud, as plataformas de trabalho remoto, serviços partilhados e a IA podem ajudar as organizações a alargar os acordos de trabalho remoto estabelecidos durante a pandemia. Toda a informação referente à forma como os indivíduos e as equipas interagem e colaboram pode promover uma mudança e convidar as organizações a olharem para além do organigrama tradicional - fortalecer e expandir as redes e colaborações, alimentar novas ideias, e ajudar a fomentar uma cultura de inclusão e pertença.

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