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Coca-Cola, Fanta e Aquarius vão ter menos açúcar

Diário de Notícias | 01-11-2017

O grupo Coca-Cola vai reduzir o teor de açúcar nas bebidas nos próximos três anos. Isso significa que Coca-Cola, Fanta, Nordic Tonic e Aquarius, os seus produtos mais açucarados, passarão a ser menos calóricos, garantiu ao DN Tiago Santos Lima, diretor de relações externas da Coca-Cola Portugal. A nutricionista Alexandra Bento considera que esta é uma das consequências da aplicação de impostos aos refrigerantes. 
 
“Além de continuarmos a reduzir o teor de açúcar nas bebidas, temos o objetivo de reduzir em 12% o nível de açúcar nas nossas bebidas até 2020, também com a introdução de novas bebidas sem açúcar ou do crescimento das que já existem sem açúcar”, disse ao DN Tiago Santos Lima, que fez a apresentação da nova estratégia da multinacional para os países ibéricos. “Temos o dever e a preocupação de atender aos gostos e às necessidades dos consumidores ao oferecer mais opções de bebidas, reduzir o teor de açúcar, lançar opções sem açúcar ou sem açúcares adicionados, fornecer informações claras e ter embalagens mais pequenas”, justificou. 
 
O grupo comercializa mais de cem produtos, que vão desde a garrafa de água e Coca-Cola Zero (sem adição de açúcares) até à Coca-Cola tradicional (111 gramas de açúcar por litro) e à Fanta (102 g), sendo as apostas recentes em alternativas não calóricas. Produzem atualmente 28 bebidas sem açúcar adicionado. No ano passado, o imposto sobre álcool e bebidas alcoólicas foi alargado aos refrigerantes, o que Alexandra Bento considera um passo importante para a indústria mudar o seu comportamento. “Está mais do que provado que o consumo excessivo de açúcar tem riscos para a saúde e todos sabemos que o consumo de determinados produtos alimentares, designadamente os refrigerantes, são prejudiciais, razão pela qual assistimos à aplicação de uma taxa nestes produtos”, explica a bastonária da Ordem dos Nutricionistas.  
 
“Além de ter um efeito dissuasor do consumo, leva a que as empresas reduzam o teor de açúcar, o que está à vista nesta medida”, acrescentou. Tiago Lima nega que a redução seja uma resposta direta ao imposto, salientando que alteraram a política empresarial em 2000. “Trata-se de uma nova etapa de uma estratégia de redução de açúcar que temos vindo a desenvolver na última década tendo como principal objetivo responder às necessidades dos consumidores e às tendências de consumo.” O consumo de bebidas da marca com açúcar tem vindo a diminuir no último ano, “o que tem sido compensado com uma transferência para outras bebidas sem açúcar”. Estas representaram 21% do total de vendas em setembro, com particular destaque para a Coca-Cola Light e Coca-Cola Zero, que significam 28% do mercado da marca Coca-Cola. 
 
É que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que “apenas 10% das calorias diárias devem ser provenientes de açúcares adicionados, o que significa 50 g de açúcar por dia, o equivalente a sete pacotes”, sublinha a associação da defesa do consumidor Deco. Estas indicações são para um adulto médio que necessita de duas mil calorias por dia. E se reduzisse esta quantidade para metade, os benefícios seriam ainda maiores. Alexandra Bento sublinha que Portugal fica nos lugares cimeiros no que diz respeito à obesidade infantil. “Um terço das nossas crianças têm excesso de peso.” As razões são os erros alimentares das famílias portuguesas e a falta de exercício da população. 
 
Segundo a OMS, as crianças portuguesas aproximam o seu consumo de açúcar aos 25% da energia ingerida diariamente, cinco vezes acima dos 5% ideais. As que consomem quantidades elevadas de açúcar têm maiores probabilidades de serem obesas e de sofrerem de problemas dentários. A Coca-Cola é líder no mercado das bebidas refrescantes em Portugal, “com um portefólio capaz de oferecer aos consumidores uma alternativa para cada momento e estilo de vida”. Planificam o lançamento de novos produtos, não referindo quais. O que é seguro é que a aposta será nas bebidas menos calóricas. “Temos um papel ativo para ajudar as pessoas a escolher a sua ingestão de açúcar, dependendo de cada estilo de vida.” 
 
 

ORÇAMENTO 
Agravamento do imposto em 2018 
 
A proposta de Orçamento do Estado de 2018 prevê um aumento da taxação para os refrigerantes até 1,5%, dependendo da quantidade de açúcar. O objetivo é taxar a 8,34 euros por hectolitro (cem litros) as bebidas com menos de 80 gramas de açúcar por litro, mais do que duplicando (16,69) para os refrigerantes que tenham quantidades superiores. É o caso da Coca-Cola tradicional, da Fanta e da Nordic Tonic, segundo a informação nutricional do grupo. O alargamento do imposto já significou neste ano, segundo a consultora Deloitte, uma subida de 0,15 a 0,30 cêntimos por 1,5 litros.

 

Fonte: Diário de Notícias

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