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Subida de 76 cêntimos/dia para 728 mil trabalhadores

Correio da Manhã | 21-11-2017

O programa do Governo prevê a fixação do salário mínimo nos 580 euros a partir de 1 de janeiro de 2018. Trata-se de um aumento de 23 euros mensais, 76 cêntimos por dia, que vai abranger os mais de 728 mil trabalhadores que recebem o ordenado mínimo. O ministro do Trabalho e o ministro das Finanças estão unidos na defesa daquele valor, mas os sindicatos querem uma subida mais substancial, e para os patrões os 580 euros são o limite máximo. INFOGRAFIATrabalhadores com salário mínimo 728 mil ganham salário mínimo. Vieira da Silva reafirmou ontem que as negociações vão começar nos 580 euros (atualmente, o valor do salário mínimo é de 557 euros). O ministro do Trabalho teme que um "aumento superior aquele que estamos a fixar" levante problemas às pequenas empresas .  
 
As afirmações do governante foram criticadas por Arménio Carlos. "Não compete ao ministro do Trabalho dizer se as empresas têm ou não condições para aumentar (o salário mínimo) para os 600 euros", disse o líder da CGTP à rádio Renascença. Este é o aumento proposto pela central sindical e que foi liminarmente recusado pelo presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP). António Saraiva sugeriu mesmo, numa entrevista no fim de semana, que o valor de 600 euros resultaria de uma "luta partidária com o Bloco de Esquerda". A UGT, por seu turno, propõe uma subida do ordenado mínimo para 585 euros, "na defesa de salários mínimos dignos". O início da discussão entre os parceiros sociais sobre o salário mínimo está marcada para sexta-feira.  
 
Marcelo quer ver quanto valem reivindicações  
 
O Presidente da República afirmou ontem que vai aguardar para ver se as recentes reivindicações de classes profissionais, nomeadamente dos professores, têm impacto no Orçamento do Estado para 2018 e prometeu não esquecer o assunto quando analisar a promulgação. Disse ainda que considera que os portugueses percebem a incidência dos incêndios no défice. 
 
"Armadilha fiscal" na afetação da casa para trabalhar  
 
O fiscalista Luís Leon alertou para a "armadilha fiscal" que pode representar as mudanças propostas pelo PS ao regime simplificado de IRS para os recibos verdes. Segundo o consultor da Deloitte, a afetação de um imóvel à atividade profissional pode ser vantajoso mas pode custar "caro numa venda futura", já que poderá ser apurada uma mais-valia na operação.  
 
Bancos com "bónus" no IRC  
 
É mais uma das alterações propostas ao Orçamento do Estado para 2018 pela mão do Partido Socialista (PS); os bancos vão poder deduzir durante 19 anos em sede de IRC, todas as perdas acumuladas até 2016 pelos créditos incobráveis que resultaram da crise económica iniciada em 2008 (os chamados DTA). Estamos a falar de um valor de cinco mil milhões de euros que estão acumulados no balanço das instituições financeiras portuguesas. Recorde-se que o Millennium/BCP, o Novo Banco e a Caixa Geral de Depósitos (CGD) estão a trabalhar em conjunto na criação de um mecanismo comum que vai permitir gerir o crédito malparado nas suas contas. Também o Governo está a negociar há meses com a banca, a criação de um outro instrumento que permita regular as imparidades futuras. Trata-se de um diploma que vai permitir às instituições financeiras reforçarem os seus rácios de capital, mas que terá de ser votado na Assembleia da República. Segundo o ‘Negócios’, o Governo incluiu no Orçamento para 2018 um novo empréstimo de 850 milhões de euros ao Fundo de Resolução. 
 
 
PORMENORES  
 
Isenção  
A Associação dos Industriais da Construção de Edifícios defendeu ontem a isenção do Adicional ao Imposto Municipal (AIMI) sobre Imóveis para as empresas de promoção imobiliária, a inscrever no Orçamento do Estado para 2018.  
 
Taxa de sal 
 
A bastonária da Ordem dos Nutricionistas disse ontem esperar que a taxa sobre produtos com elevado teor de sal seja aprovada no âmbito do Orçamento do Estado para 2018 e que a receita seja canalizada para a promoção da alimentação saudável.  
 
Apoio aéreo  
 
O líder do CDS-PP/Madeira defendeu a revisão do subsídio de mobilidade aérea para os residentes do arquipélago, desafiando os partidos a apoiarem a proposta que será apresentada no Parlamento, na discussão do Orçamento do Estado.  

Fonte: Correio da manhã

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