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Além da inovação por impulso

Como os CIOs podem conduzir a inovação liderada pela tecnologia

Por Fabio Pereira

Nos últimos anos, as mudanças na tecnologia levaram a ajustes nos modelos operacionais e de negócios, tornando a inovação imprescindível. Entretanto, apesar de existirem métodos e estruturas de inovação brilhantes, muitos líderes de negócios e tecnologia não desenvolveram uma capacidade robusta de inovação.

Desafios da inovação habilitada pela tecnologia

Muitos CIOs enfrentam uma lacuna significativa entre o estado atual e o desejado de seus recursos de inovação. De acordo com um estudo realizado pelo programa CIO Transition Lab, da Deloitte global, a maioria dos líderes de tecnologia (59%) almejam alto e afirmam que seu objetivo é ter os principais recursos de inovação no futuro. No entanto, ainda existe um longo caminho a ser percorrido: quando solicitados a avaliar sua capacidade de inovação atual, 25% alegam que as capacidades de inovação de suas organizações são inexistentes e 41% dizem que estão atualmente desenvolvendo essas capacidades. Apenas 11% avaliaram suas atuais capacidades de inovação
como excelentes ou líderes.

Existem algumas razões para a lacuna entre as capacidades de inovação atuais e ideais.

  • A sobrecarga de escolha: Um conhecido conceito de economia comportamental declara que, ao receber muitas opções, as pessoas podem ficar presas no processo de tomada de decisões e, como resultado, não fazer nada. O grande volume atual das inovações, soluções, estratégias e modelos de negócios impulsionados pela tecnologia podem ser esmagadores para muitos líderes, fazendo com que as organizações permaneçam congeladas ou focadas na inovação para um fim específico – e, por fim, não alcançam nada substantivo.
  • Liderança prefere posturas defensivas: Muitos líderes empresariais costumam ver investimentos em tecnologias disruptivas como arriscados; eles se sentem mais confortáveis investindo no aprimoramento das tecnologias existentes.
  • Tecnologia e estratégia de negócios não alinhadas: Na edição mais recente da pesquisa global da Deloitte CIO Survey, 75% dos entrevistados afirmaram ter a intenção de ser um cocriador de negócios ou um instigador de mudanças. Entretanto, eles devem resistir ao desejo de inovar apenas em prol da inovação. A colaboração com colegas de negócios pode garantir que os planos de inovação estejam alinhados com a estratégia corporativa.
  • Percepções distorcidas de TI: Algumas equipes de TI são prejudicadas pelas ineficiências dos sistemas legados ou pelas percepções dos recursos e talentos de TI. Além disso, o estabelecimento da excelência operacional provavelmente é um precursor para se confiar a inovação. Nas organizações com uma percepção negativa da TI, os CIOs provavelmente precisarão ganhar a confiança dos negócios, impulsionando a disciplina operacional.
  • Barreiras organizacionais e culturais atrapalham a inovação: A última edição da pesquisa CIO Survey identificou a resistência à mudança e a falta de comprometimento da liderança como dois dos principais obstáculos que a inovação enfrenta dentro das organizações. A inovação bem-sucedida requer um mandato do CEO, apoio de toda a empresa e suporte para uma evolução cultural.

Quer os líderes de tecnologia estejam impulsionando, apoiando ou possibilitando a inovação, é importante ajudar suas organizações a criar uma forte capacidade de transformação. Isso normalmente exige que eles desenvolvam uma mentalidade de portfólio, participem do processo de inovação de ponta a ponta – da concepção à atualização – e adotem a abordagem do ecossistema de inovação.

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A industrialização da inovação impulsionada pela tecnologia

Como quase todas as inovações hoje em dia têm como base a tecnologia, é importante que os CIOs habilitem ou dirijam esse esforço. De acordo com a CIO Survey, menos de um quarto dos líderes em tecnologia (24%) está envolvido na detecção do mercado e na pesquisa de soluções ativadas por tecnologia; metade está explorando ativamente maneiras de integrar essas tecnologias em seus ambientes e apenas um pouco mais de um quarto (26%) está envolvido na experimentação e no dimensionamento dessas soluções.

O fato é que poucos líderes de tecnologia implementaram um processo sistemático de inovação de TI dentro da organização. Em vez disso, muitos têm buscado a inovação por impulso, se interessando por tecnologias emergentes sem considerar os casos de uso e a escalabilidade, distribuindo investimentos por várias startups sem uma estratégia definida, ou confiando demais no ecossistema tradicional de parceiros e fornecedores para obter orientação.

Um processo sistemático de inovação permite que as equipes explorem e experimentem rapidamente diversas possibilidades. Este processo pode ser projetado de várias maneiras, dependendo do contexto da empresa e de problemas específicos que precisam ser resolvidos.

O envolvimento do ecossistema: construir, comprar ou realizar parcerias?

Quando abordados de maneira estratégica, os ecossistemas que incluem parceiros de negócios internos e externos ajudam a reduzir riscos e acelerar a inovação. Ao comparar opções, considere os parceiros com base no tipo de inovação. Considere também se a propriedade intelectual precisará de proteção, quem deve ter controle operacional do projeto, a disponibilidade de talentos e recursos financeiros, o cronograma, entre outros fatores.

Para alavancar o ecossistema com sucesso, as empresas devem se engajar ativamente com ele por meio da exploração e gerenciamento de relacionamentos, além de pesquisas de soluções específicas. Isso significa que uma empresa não pode simplesmente transmitir seu interesse em trabalhar com o ecossistema – ela deve se tornar um parceiro contribuinte com o qual outros membros desejam colaborar.

Em um mundo onde novas tecnologias surgem todos os dias, os desafios enfrentados pelos CIOs se renovam com a mesma frequência. A necessidade de inovação é tão forte que muitas empresas acabam inovando por impulso – muitas vezes, sem um objetivo definido. Cabe aos líderes de tecnologia estar sempre à frente das tendências tecnológicas disruptivas, buscar o alinhamento da tecnologia à estratégia de negócios da empresa e trabalhar junto aos outros líderes para quebrar as barreiras culturais que prejudicam a implantação de novas tecnologias. Dentro de um novo perfil do CIO, seu papel principal é fazer as organizações entenderem que a inovação é um caminho sem volta.

 

* Fabio Pereira é sócio de Consultoria em Tecnologia e líder do CIO Program da Deloitte

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